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15/09/2015

A Ilusão do XVIII Arcano.

Ola meus amigos, sentem-se confortavelmente, este conto é curto mas intenso, e pertence a serie de contos sobre os Arcanos maiores do Tarô. Realmente espero que gostem, deixem suas opiniões em nossa Pagina do Facebook (Blog Maldição!)

Tenham uma boa noite!





O teatro estava cheio, murmurinho das pessoas contrastando com a intensa chuva que caia do lado de fora, e de tempos em tempos um raio cortava os céus, trazendo consigo o barulho surdo do trovão. Enquanto todos tomam seus assentos, um único ator já estava sentado em uma pedra na floresta armada como cenário, muito bem-feito o cenário, as pessoas comentavam, era tudo bem realista, certamente algumas árvores de verdade foram colocadas ali.
O ator impassível ignora todos ali, apenas olhava fixamente para a névoa que era bombeada para o palco, e assim ele fica, ate que todos ficassem absolutamente em silêncio, ele havia comprado a atenção da plateia com sua inercia. É quando ele olha para todos, agora podiam ver claramente o vigoroso homem que era, tinha não menos que um metro e noventa, cabelos longos revoltos e loiros, trazia em suas enormes mãos, machadinhas, um guerreiro lembrava os Vikings.

Mas a análise era quebrada por sua poderosa voz.

_A Lua pendura-se como um pêndulo cruel e estático.
Ao sabor da canção dos ventos as árvores dançam.
Enquanto esta tragédia se inicia com o coração de vidro quebrado.
E o pesadelo da hora morta, esmagando os sonhos…

Ele para e olha para a plateia estática, tudo estava diferente, alguns franzindo a testa, eles haviam deixado suas casas aconchegantes para ver uma versão nova de Romeu e Julieta, aquilo não tinha nada a ver com a peça do dramaturgo inglês.

_Mas sem lágrimas por favor.
Pois o medo e a dor andam de mãos dadas com a morte.
Mas este é o desejo que traz vocês aqui esta noite.
E é isso que veremos… Agora.


Ele desperta suado em sua cama, os lençóis molhados, mais um pesadelo com aquela mulher, mais um sonho destruído e mais lágrimas derramadas. Ele em desespero enquanto o relógio da igreja soa pela janela, três badaladas, meio da madrugada, ele estava confuso, perdido em amor. E o mais cômico disso é que ele sempre havia desejado este destino, um poeta em uma época em que os poetas não significam mais nada, Byron, Goethe, Chateaubriand e Alfred de Musset agora não são mais nada além de sombras, e mesmo assim ele teima em tentar reviver aquela atmosfera lúgubre que era tão comum a poucos anos atrás, ele hoje sente-se um retardatário e agora sofre imensamente pelo amor de uma jovem, que talvez, ignore ate mesmo sua existência.
_Lenora, ah minha Lenora… Este triste coração é prestes a se tornar chamas.

Ele a comparava as deusas antigas, seus longos cabelos ruivos, suas gentis curvas e seu ar eloquente, elegante e graciosa, agora o poeta se consome e lágrimas, enquanto a garrafa de absinto ia se esvaindo, pegando sua caneta e seus papéis ele começa a rascunhar.

_Tem um fogo dentro deste coração revoltado prestes a explodir em chamas
Onde está o seu Deus? Onde está o seu Deus?

Mas ele é interrompido, o vilarejo que a esta hora já deveria estar completamente envolto em sonhos, agora grita, e estes gritos chegam ate o poeta que sente uma ponta em sua cabeça, ele que vivia as margens das grandes cidades, evitando Paris ou Londres a qualquer custo, pois assim sentia-se mais próximo da força criadora primordial e estes lugares atrasados eram perfeitos para pessoas como ele, enquanto seus trabalhos vendiam o suficiente para que ele leve a vida dessa forma, experimentando. Ele cria coragem e chegando ate a porta da estalagem a visão turva era um tanto sombria, ele se sentia diante uma cena daqueles contos irritantes que surgiam o tempo todo naquele tempo, como os trabalhos de Oscar Wild e Stoker, aldeões em frenesis com tochas gritando pela carne carbonizada da bruxa.

Quando ele pergunta ao taverneiro este apenas responde, puxando o poeta para dentro.

_Isso é assunto deles, deixe que resolvam… Eles querem ver aquela mulher morta, Lenora.

A noticia atravessou o pobre poeta como uma lança e ele escancara a porta novamente fazendo o taverneiro bufar, mas sem dar importância, ele atravessa a multidão que caminhava rumo a mata gritando “morte a Bruxa”, e mesmo depois de ter que estapear um vilão para poder passar ele corre na frente daqueles animais.

A noite estava clara pela gorda lua cheia que brilhava mais do que o normal, mas isso não diminuía o desespero do poeta que corre como um lunático, só para chegar tarde demais. Ele vê três homens se recompondo, ajustando suas calças e rindo sem parar, atrás dele estava sua amada, jogada no chão nevado, havia sangue manchando a neve pura, ele tenta investir, mas aos socos e pontapés ele também cai ao lado de sua musa.

_Deixem-no ai… Amantes de bruxas merecem o destino que procuram…

Então eles deixam que os dois amantes morram juntos, mas não antes de que o poeta se lembre, aqueles três homens, são clérigos que cuidam da vila, homens de Deus… Ela havia sido estuprada ate agonizar para a morte e deixada nua na neve para que o frio apague sua chama de vida. O poeta lhe segura a mão enquanto ela tem seus últimos instantes de vida, uma lágrima rola pela face e congela antes de chegar ao solo.

Ele sente vontade de gritar, amaldiçoar Deus por sua crueldade, mas não consegue com um maxilar quebrado, tudo que ele faz é sussurrar.

_Ela tinha me jurado votos de sangue fragrante… "Nunca nos separaremos
A menos que o céu invejoso tenha roubado nossos corações"

Ele chorava e repetia baixinho.

_Volte para mim, minha Eleonor, nasci apaixonado por ti… Então como pode o destino se entrepor a nós?

E amaldiçoando tudo ele clama por ajuda, reza a Deus e ao Diabo, mas ninguém o ouviria mais, ate que seus olhos suplicantes se volvessem para a lua que gentilmente brilhou, e diante do corpo sem vida da dama amada, surge vestida de prata uma mulher, jovem, bela como tem de ser e lhe fala.

_Posso dar-lhe este alento… Mas saiba que isso lhe amalçoaria pela eternidade, sem descanso e sem alento!

O Poeta louco, agora se levantando com muita dificuldade, se apoiando no cedro gigante que se erguia ao seu lado, sem folhas mas vivo como ninguém mais ali estava, ele responde com seus ossos doendo.

_Ja estou assim fadado bela dama, minha alma não mais me importa.

_Que assim seja galante ser da noite, e amanhã, quando minha face alcançar a abóboda do céu, você terá sua vingança!

Ela fala apontando para algo que brilhava na neve, e ele ao pegar percebe se tratar da chave da igreja.

Quando a outra noite chega, ao longe o sino da igreja toca, eles lamentariam pela morte da Bruxa e clamar a Deus para que seus pecados tenham sido remedidos diante da luz, claro que os três sacerdotes omitiram os fatos, o estupro e a surra em um poeta, diziam ser o frio da noite a acabar com as profanações daquela alma maligna, e enquanto os ritos se estendiam, a fumaça começa a tomar o templo, e os louvores se tornaram gritos de desespero, que ficaram mais fortes quando a grande porta se fechou e o barulho da fechadura ecoou por toda a igreja… Ali todos queimaram pelos seus pecados, e ali a igreja virou uma tumba.

De cima de um telhado, a bizarra forma de uma criatura híbrida, cuja as feições lembram os lobos, servos leais a lua, mas seu porte era de um humano, porém maior, mais terrível, e ele ainda segurando as chaves em sua mão esquerda, uiva sem parar regojizando de sua obra.

E mais uma vez o poeta desperta, em sua cama, em outro continente e em outro corpo, mas o suor é o mesmo e a lua que olhava para ele também, ele então se enrola em seu roupão, pega sua caneta e papeis, senta-se iluminado por uma vela e escreve.

“Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado, “

















O ator volta ao palco, com um longo e respeitoso curvar de sua coluna diante aquela plateia que estava pasmada e assustada ele fala.

_Assim termina nosso drama, enquanto a lua se despede… Mas lembrem-se as ilusões que ela lança sempre iram vencer a mente sã!




06/09/2015

Flush do Arcano XV #Final

Olá meus amigos... Antes de mais nada, gostaria de dizer que eu estou adorando escrever este conto, e alias muito feliz pela repercussão dele. Aqui termina a saga de Kriminel, se você não leu as demais parte, corra la e veja, juro que foi feito com muito carinho e que vocês não irão se arrepender. Tem alguma duvida, comentário, critica qualquer coisa quer mandar um oi pra gente da Confraria do Medo? 

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 Naquele momento, enquanto o corpo inerte do velho jazia sem vida, Kriminel já havia adormecido nos braços de sua esposa, ele havia negado a libertinagem, não pois era um ativista da monogamia, obvio que não, mas naquele lugar ele havia julgado que era perigoso demais, queria se livrar dos abutres que o caçavam de forma incessante.

Dormia de forma conturbada, agitado, sendo vítima de pesadelos sem fim, suando e se retorcendo, balbuciando coisas que sua esposa e agora também sua filha não conseguem entender, e tentam em vão acordá-lo.

Em seu pesadelo, Jonathan está em um corredor com parca luz vinda de pequenos lustres que pendem do teto, iluminando as paredes enfeitadas com tons dourados e negros, e seus pés descalços sentem o confortável toque de um lindo carpete azul. O corredor era extenso e enigmático, continha diversas portas, mas como Kriminel pode reparar em nenhuma havia dobradiças, apenas fechaduras, mas nenhuma chave, e a caminhada era enorme, penosa pela confusão, e demora muito para que o magnata chegasse ao seu fim, somente para constatar que la no fim havia apenas uma pequena mesa com cartas sobre a mesma, de início Kriminel achou se tratar de um baralho comum de jogo, mas logo que ele se aproxima o suficiente ele pode perceber tratar-se de um baralho de Tarô.

Todas as cartas estavam alinhadas lado a lado, como um morador de Nova Orleans, logo Kriminel pode perceber que se trata de apenas os arcanos maiores, em ordem do Louco ate o Mundo, ele se demora em analisar, primeiro de forma ampla vendo todas as cartas e depois observando se não havia nenhuma mensagem em seus versos,  ele pega uma por uma, observa as figuras, mas demora muito para entender um detalhe, que para um conhecedor superficial, é um detalhe muito pequeno, Kriminel sabe que são vinte e dois Arcanos maiores, e ele conta cada um, e logo percebe que ali existem vinte e uma cartas, ele passa a tentar ver qual era a carta que faltava.

Estavam todas ali, exceto pelo décimo quinto… O Diabo não estava entre aquelas cartas e ao constatar isso, logo um grande ruido começa e Kriminel desperta.

Ao meio da tarde quando a maioria das pessoas a bordo do Hiero começam a despertar, com suas ressacas e dores das diversas orgias. O barco atraca em um cais de uma vila ribeirinha, como era conhecimento de todos, o cassino havia disponibilizado uma cota para o ganhador de um concurso realizado na paróquia desse vilarejo, isso para dar ao evento um ar de beneficência, e a entrada tardia do ganhador era apenas para que esse possa ter alguma chance de sair dali com alguma coisa, tudo para amenizar a consciência dos milionários a bordo, já que todos imaginam que essa pessoa não passará de um bobo da corte para diversão, e como a cota dele lhe garante um montante em aposta, nada muito significativo se comparado às apostas dos magnatas, e pela lógica se o homem manter sua boca fechada e sua ganância sobre controle, ele poderá aceitar as apostas iniciais e deixar a mesa saindo com pouco menos do que começou, isso por si só já era o suficiente para mudar a vida de um pequeno agricultor ou de um operário das minas de carvão.

Eis que chega a hora de conhecer o sortudo, a maioria das pessoas do barco se aglomeram perto da ponte de embarque, para ver quem é o palhaço que lhes divertirá o resto do cruzeiro, enquanto outros, o que inclui Kriminel que ainda está um pouco abalado pelo pesadelo, ao qual se recorda com perfeição, estas pessoas dão a mínima para essa interrupção tão fútil do torneio.

O homem que aparece é um rapaz que não deve ter muito mais do que trinta anos, cabelos longos e revoltos, um terno dominical, sapatos surrados mas muito bem limpos, sem chapéu ou gravata, usando a camisa aberta ate o meio do peito, dando ao homem um ar casual como se ele fosse encontrar velhos amigos depois da missa de domingo. Ostenta um sorriso largo cheio de dentes, grata e estranha surpresa, todos brancos e bem limpos, mas suas mãos ásperas e rudes denunciam seu trabalho pesado, talvez no campo. O que mais surpreende é que ele chama a atenção imediata das “damas” do navio, pois sua beleza era ímpar, nem muito másculo nem afeminado. Ele atravessa o convés, dialogando com desenvoltura com as pessoas, ate algumas pessoas começam a questionar a integridade do tal sorteio, mas algumas gafes e palavreados gentio, além das marcas do trabalho pesado, fazem esses conspiradores perderem credito, o homem parece dissimular o caminho ate Kriminel, que estava distraído no bar, quando o magnata estava se preparando para sair do balcão tromba com o já não tão especial plebeu.

_Me perdoe senhor, estava apenas tentando chegar ao bar para saciar a sede.

_Tome mais cuidado garoto… Ah você deve ser o jogador da cota do vilarejo, correto?

_Sim senhor, muita sorte minha, meu nome é Malcon, Malcon Maine, prazer.

Kriminel resignado aperta a mão do plebeu. _Sou Jonathan Kriminel, já ouviu falar?_ Kriminel estranha, mas já sente certa afeição pelo jovem.

_Claro… Ate o Diabo conhece o seu nome senhor… Agora se me der Licença, realmente tenho sede, e me disseram que a bebida no barco é por conta da casa.

Kriminel não responde, estava estático com as palavras do homem, apenas acena a cabeça e segue seu caminho ate as mesas dos jogos.

A partir daquele ponto, Kriminel passa a vencer de forma assustadora todos seus rivais, e aposta após aposta, mesa após mesa, Kriminel vai escrevendo sua história no poker, aquele torneio estava ganho, ate o magnata sempre tão arrogante e confiante, passa a ficar surpreso com as suas vitórias, chega a esquecer completamente aquele sonho, e rapidamente acumula o suficiente para não haver mais oponentes.

De outro lado Malcon o plebeu, caminha, com alguns tropeços, mas muitas vitórias geniais, ele vai desbancando cada um, passando de plebeu a milionário em apenas alguns jogos, ele vai traçando seu caminho ate o momento em que se senta apenas ele e o magnata Jonathan Kriminel, frente a frente Kriminel fala.

_Malcon correto? Que surpresa, acho que agora também lhe chamo de senhor… Congratulações meu jovem, se estiver interessado, tenho uma proposta para você, lógico se você deixar essa ideia de Poker de lado.

_Desculpa senhor Kriminel, mas sou muitas coisas, menos desonesto, na verdade eu jamais menti… Então eu recuso, quero ir ate o fim.

Kriminel da de ombros e faz uma careta de trágico, e logo eles começam.

Todos estão rodeando a mesa, mas a organização do torneio colocou um cordão para isolar os participantes. A esposa e a filha do magnata estão olhando e sorrindo da cena, seria interessante ver Jonathan dar fim a ganância e a arrogância daquele plebeu. E como era de se esperar, Kriminel ganha facilmente, várias mãos, uma após a outra… ate que o jovem Malcon em uma rodada de desespero desafia Kriminel em “All In”, logicamente o magnata aceita… E perde… Agora Malcon estava ocupando mais confortavelmente seu acento, cruza as pernas e sorri para Kriminel, este se enfurece com tamanha ousadia e crava seus olhos furiosos em Malcon… Ele perde mais uma… E outra… Sete vezes e suas apostas mínguam a medida que as de Malcon se engrandecem… as roupas de Jonathan se ensopam de suor, e ele passa a fumar um cigarro atrás de outro, ate começar a tossir muito. Ao mesmo tempo que Malcon fica ainda mais sorridente sem tirar os olhos do velho a sua frente… E ele perde mais uma… Muitas… Tudo.

Quando os organizadores começam a se preparar para encerrar as apostas e declará o agora multimilionário Malcon vencedor, Kriminel já todo acabado, com as roupas frouxas se levanta em um pulo e esbraveja.

_NÃO! NUNCA! Não vou perder para um rato… vou apostar mais, aposto metade de minhas propriedades… Tragam-me minhas escrituras… AGORA!!!

Como Kriminel sempre levava os documentos originais consigo, pois confiava somente nele mesmo, logo as escrituras de suas terras estavam em mãos, ele separa metade e coloca sobre a mesa. Malcon em silêncio ate então sorridente responde, analisando-as e separando o equivalente em fichas da mesa do lado, pois eram tantas que não cabiam mais naquela em que se sentava.

_Aceito de bom grado senhor!

Diante disso os organizadores mesmo demonstrando muito nervosismo não podem recusar, eram as regras do poker.

E o magnata sofre com uma mão miserável, sua mente trabalha rápida e logo ele calcula que suas posses todas somam mais do que tudo que Malcon tem ali, e ao se ver encurralado ele desafia um blefe, agora a cara compenetrada e inexpressiva, que é uma regra básica do jogo, já não faz o menor sentido, e usando de dissimulação ele explode em gargalhada e joga todos os documentos sobre a mesa verde gritando “All In”, o jovem apenas levanta os braços como fez Pôncio Pilatos e coloca tudo que tem aceitando o desafio… Diante dos dois pares de reis de Kriminel, Malcon exibe uma quadra de ases… Kriminel deseja gritar em protesto, era roubo sem dúvida, mas os juízes do jogo já estavam prevendo essa reação e estão com as mãos em seus coldres, fazendo Kriminel baixar os ombros e derramar lágrimas, por algum tempo ele fica assim com a cara enfiada em suas mãos, pois havia perdido tudo… quase tudo, em um delírio ele levanta sua carranca despenteada e olhando nos olhos de Malcon ele fala em tom baixo e derrotado.

_Ainda me falta uma aposta… _ Ele aponta para sua esposa, ela era mestiça de francesa, uma beldade das terras da Luisiana, muito mais jovem que seu esposo que agora lhe joga como aposta, ela fica imovel, não consegue crer no que estava acontecendo.

_Não… Muito pouco velho… Aceito as duas!_ Malcon se referia a jovem filha do casal, uma linda garotinha de dez verões, que estava aos soluços vendo o que o pai estava fazendo. Este que de início pensa, não conseguia mensurar a ganância do homem a sua frente… Mas sem saída ele aceita, tenta lhe convencer que era o melhor, já que agora ele estava miserável, ao menos, mesmo se elas fossem escravas de Malcon, ele poderia dar um prato de comida por dia para elas… Aceita por fim… E perde.

_Levem as duas para minha cabine… Vou me juntar a elas quando acabar com esse velho a minha frente._ Kriminel estava em choque, sequer ouve os gritos das duas que eram arrastadas pelos corredores do Hiero, nem que a maioria dos tripulantes do navio agora agiam de forma como se hipnotizadas, seguindo cada ordem de Malcon.

_Mais alguma aposta senhor Kriminel?

_Sim… Eu aposto minha alma contra tudo que você tem… Aceita?

_Com o maior prazer…

O crupiê que estava tão assustado que tremia, mal conseguindo embaralhar, deixando as cartas caírem duas vezes, mas Malcon passa a mão nas mãos do adolescente que para de tremer de imediato, voltando a destreza habitual e distribuindo as cartas. A mão segue em silêncio completo, ate a última rodada, já que não havia aposta, era um “All In”. Jonathan custa a focar no jogo, demorando a entender sua mão… e quando ele percebe mal pode crer, ele havia conseguido, uma quadra de asses, ele olha para seu nêmesis e mostra a mão…

_Sabe senhor Kriminel… Sabe por que estou aqui? Por que sua alma foi posta a prêmio, porém ela não pertencia aquele que a colocou… Sua alma sempre foi minha, sempre, você sou eu e eu sou você e juntos somos um… Sabe onde estava a carta do arcano XV? Aqui na sua frente… Sou o Diabo e o Diabo é o melhor de você… Então eu ganhei, novamente eu tenho você novamente… Antes que alguém viesse eu vim!

Malkuth revela sua mão… Um Straigh Royal Flush… e em um frenesis implacável, as pessoas do Barco se lançam sobre Kriminel, e o seguram, enquanto uma pessoa vem ostentando um machado, e com esse, as pernas do derrotado são separadas, ainda vivo, ele pode ver o machado descer para decepar-lhe a cabeça. Malkuth então se levanta calmo e começa a seguir para sua cabine, para gozar de seus outros prêmios, quando o organizador ensanguentado lhe interrompe.

_Senhor, o que fazemos com o corpo?

_Jogue no Mississípi, lá ele deve repousar!

_Antes de ir senhor, deve assinar estes papéis das escrituras.

Então Malkuth, saca uma caneta tinteiro do casaco no corpo de Kriminel e usa seu sangue para enchê-la, depois assina em cada documento o nome Arcano XV.


04/09/2015

Flush do Arcano XV #2


Boa noite meus amigos, desculpem minha ausência, mas esses dias foram complicados, a base de tosses e xaropes, espirros e antialérgicos. Mas estamos de volta, agora com a segunda parte do conto do velho Mississípi, a jogatina começa. Espero que gostem, não se esqueçam de curtir a pagina do Facebook (Blog Maldição) e nos contem o que estão achando. Para continuar este texto é necessário ler o primeiro, vale a pena o esforço ja que este conto abre uma fase ousada do nosso Site! Boa Noite e boa leitura a todos.



A noite nas águas do Mississípi estava linda, iluminada por uma enorme Lua prateada e os vaga-lumes do pântano que dançavam brilhantes tentando imitar as estrelas. Havia silêncio naquela noite, mas este era quebrado ao longe pela algaravia do motor a vapor e das engrenagens dizendo que as noites do mundo jamais voltarão a ser silenciosas como eram antes.



O Hiero, barco luxuoso dedicado aos pecados da cobiça, avareza e lógico a luxuria. No salão principal, assim como no convés estavam abarrotados, a minoria era de jogadores abastados com as fortunas desta Terra, eram pessoas que lucraram imensamente com a Guerra Civil, os demais sendo pessoas de alguma forma, poucas vezes honestamente, conseguiram estar ali aquela noite, como abutres que rondam as carcaças de lobos moribundos. Antigos figurões falidos e suas filhas que caçam por uma cama que lhes renda alguns dólares.

Claro que dentre todos o que mais se destaca é Jonathan Kriminel, não somente pelos abutres e suas filhas prostitutas, mas principalmente por seus rivais, já que seu poker era lendário. Poucos ali se lembram de fato do torneio que está por vir, mas os que o fazem não perdem Kriminel de vista.

Enquanto todos se enchiam do bom whisky oferecido de graça, os organizadores, homens de silêncio, pessoas que ninguém ouviu falar antes, velhos carrancudos que nada tem a ver com as risadas embriagadas que ecoam do convés. Eles já tem sorteadas todas as cadeiras, algumas vazias pela falta de coragem.

Magnata estava sorteado na décima quinta mesa, com mais oito jogadores, e a meia-noite o torneio se inicia.

Agora a cacofonia desaparece quando todos os jogadores já sentados, confortáveis e com as mãos suando sedentas para tocar os ases, Kriminel observava com desdém seus rivais, sorrindo a cada um, agora sério quando observa que o velho inglês estava sentado junto a ele.

— Vou mostrar a você nas cartas como nós mandamos ingleses para casa!

O homem apenas dá de ombros e observa o croupier que graciosamente passa o baralho lacrado para inspeção de todos os jogadores e depois abrindo-o embaralhando com destreza.

Kriminel assume sua postura, organiza suas cartas sobre a mesa, observando as que são reveladas sob o pano verde, então ele passa a fitar o nada, impassível, ele aceita todas as apostas e vence a primeira rodada. O processo se repete mão após mão, sem grandes triunfos e duas derrotas embaraçosas, mas ele não recua, jamais desiste, prefere a derrota, assim como sempre ocorre ele tece vagarosamente a teia deixando seus rivais confortáveis para errarem.

Até que tarde da noite, um por um dos oponentes vão sendo devorados por ele restando apenas o velho inglês. Agora os olhos de Kriminel estão cravados nos do velho homem, na sua face ainda se expressa nada além de um frio desdém. Kriminel perde as três mãos seguintes, gerando naquele senhor uma espécie de esperança já que aquelas apostas eram tudo que lhe restara. Ele era um fazendeiro colono de família tradicional inglesa, mas ele havia nascido em chão americano.

Afobado com uma mão excepcional o velho desafia Kriminel com “ all in “ o magnata o olha espantado e aceitando a aposta pergunta

_ Tem certeza disso velho ??

_ Tenho fé. Responde ele convicto.

_ Eu não acredito na fé, apenas nos naipes, você tem que pagar. Sabe o que está por vir ??

Com um aceno Kriminel pede para o inglês revelar sua mão que se mostra uma trinca de Reis, enquanto Kriminel revela a sua um belo “Flush de Paus”, impecável, ele sorri enquanto o velho desaba miserável.

A noite prestes a acabar o velho, agora paupérrimo, em sua cabine com os olhos vidrados no teto, com sua Colt em mãos ele sussurra como se rezasse.

_ Para qualquer um, demônio ou anjo, a quem interessar quero vingança troco minha alma pelo sangue do bastardo Jonathan Kriminel.

O barulho do disparo é ignorado por quase todos. Quase todos, mas não todos...


30/08/2015

O Flush do Arcano XV #1


Ola amigos. Inicio aqui um conto, nosso segundo , mas este será postado em partes, não sei quantas, mas ele servirá de ilustração para mais uma fase do Blog. Não se esqueçam de curtir nossa pagina do Facebook (Blog Maldição!) e espero que gostem!







Todos os nervos estavam aflorados naquela tarde de Domingo, abordo do Hiero o mais luxuoso barco cassino daquela parte do Mississípi, uma lenda surgiria, daquele barco sairia o maior nome do Poker daquela parte do Mississípi.

Mas aquelas mesas não estavam reservadas para os jogadores de bares, não, estavam inscritos para o dito torneio apenas os magnatas mais poderosos do estado de Louisiana, dentre eles uma grande lenda, talvez a maior, Jonathan Kriminel.

Kriminel era um magnata dono de uma imensa rede de minas de carvão, sangue das novas tecnologias do vapor, ele era de família que vinha do norte junto aos soldados da guerra, e como muitos ele se apossou de várias terras perto de Nova Orleans, e ali fez fortuna se aproveitando do caos da guerra, como dizem seus rivais, ele é um vampiro oportunista e sem um pingo de decência, e as mãos cheias de dedos, mas nada dessas implicâncias incomodavam Kriminel. Era alto e de porte temerário, resolvia as coisas no grito ou na bala, ostentava um bigode cheio que se ligava às costeletas volumosas, dando a ele um ar ainda mais forte. Havia chegado aos quarenta anos a pouco e agora com fortuna e família, ele não tinha mais nenhum tipo de ambição no mundo dos negócios, o que não quer dizer que sua empresa de mineração tenha diminuído o ritmo ou deixado de fazer seus negócios na base da força e compras de terras de minas assinadas a sangue de seus antigos donos.

Bom seu nome foi mais que o suficiente para amedrontar meia dúzia de homens que estavam corajosos com suas mãos sobre o coldre, já que agora o magnata dedicava todo o seu tempo em se provar como maior jogador do sul dos Estados Unidos. E ele vem tendo sucesso, pois é um estrategista nato, prova disso é que poucos jogadores que tiveram o maldito azar de se assentar na mesma “Green Table” com ele conseguiram lhe arrancar mais de dois dólares.

Todos os participantes, que no total soma fácil a duzentas pessoas. Se confraternizavam, ou não, no bar do luxuoso cassino que corria o Mississípi alimentando suas caldeiras com carvão de Kriminel, este que estava sentado conversando animado com algum puxa saco, pelo torneio e pelo whisky, do outro lado na entrada era observado por poucos, uma figura de um velho, com um smoking empoeirado mas bem alinhado, um andar altivo, com uma bengala e cara de inglês, coisa como essas e nesses dias, poucos admitiam, mas ali estava a elite e não baderneiros, por mais que suas vontades eram de jogar a carcaça do velho servo da rainha para a lama do rio, mas o bom senso não permitiu que ninguém ali fizesse alguma sandice.

Ou quase todos.

Kriminel se levanta com uma carranca e virando o copo de whisky fazendo uma careta, ele parte ardente para cima do ancião, que era muito menor que o magnata, parando a alguns centímetros dele, Kriminel dispara aos cuspes fazendo o ancião piscar.

_Olha aqui velho… Aqui não é lugar para gentinha de sua laia Inglês, por que não de a volta e corra para a saia de sua mãe do outro lado do mar?

Sem encarar o rapaz que lhe insulta, o velho homem apenas sorri e fala em tom controlado.

_Não sou nenhum inglês, filho, então guarde suas farpas e humores para as cartas de mais tarde, olhe que o Dealer vai dizer as cadeiras…


Sem tempo de responder, Kriminel é obrigado a olhar para o organizador que entra no bar com uma roupa um tanto cômica com aquela cartola exagerada, ele sorria de boca aberta dando-lhe um ar de idiota, ele sorteia as cadeiras de cada um, e as mesas que iniciaram as eliminatórias, duzentos e vinte cadeiras dará início ao torneio mas no fim apenas uma levará a quantia estonteante das apostas do torneio de Poker de Louisiana.

16/08/2015

Echos Vídeo #1

Boa noite amigos!

Hoje trago algo especial para vocês, trago nosso primeiro vídeo.
O conto Ecos que vocês conhecem, aquele mesmo que postei a alguns dias, mas de uma forma totalmente nova, em um maravilhoso vídeo, trazendo a voz marcante de Felipe Lacerda.








Espero realmente que tenham gostado, deixem suas opiniões sobre o novo formato, se gostaram, se desejam ver mais vídeos assim, as opiniões de vocês é de extrema importância para melhorar a qualidade do nosso conteúdo.

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Tenham uma boa noite meus amigos.

06/08/2015

Ecos



Boa noite meus amigos, gostaria de aproveitar o momento para apresentar a vocês um conto de autoria minha, espero que gostem.




   Amanda se encosta no sofá, esta cansada, sua profissão de professora lhe cobra o suficiente para que tanto seu corpo quanto sua mente estejam exaustos ao fim do dia.
Ela realmente ama aquilo que faz, e não pode reclamar de seus atuais alunos, todos educados e disciplinados, tão diferentes daqueles do ano passado, onde chegou a ser vítima de perseguição e vandalismo. Ainda se pode perceber um quase ilegível arranhado na porta do carro com a palavra “Vaca”.
Ela se estica toda, e pega o controle do aparelho de som na mesa de centro da sala, aperta alguns poucos botões e começa no ambiente o som das músicas que ela chama de “Musicas para relaxar”. O disco com uma coletânea de canções antigas da Europa, nas décadas de trinta e quarenta.
Esforça-se mais um pouco e pega o jornal da tarde, começa a folheá-lo, passa pela página política, esportes, e quando chega aos classificados ela se depara com o anúncio de venda de um imóvel, ela olha demoradamente a foto e sua mente é levada para uma época um tanto distante em sua cabeça, a respiração fica um pouco acelerada por força das lembranças de fatos que preferia não rever, mas que não consegue esquecer.


Com quinze anos Amanda era inocente e feliz, sua família sempre gozou de um status econômico invejável e ela era cercada por regalias e privilegiada, por ser uma filha única de um casal relativamente jovem e bastante rico.

Ela se lembra da fatídica noite de setembro, no fim dos anos 90.

Percebendo que o próximo dia será cheio a pequena adolescente se recolhe bem cedo, eram por volta de oito da noite de domingo e ela já estava em seu quarto. Não era de seu feitio dormir cedo, mas a segunda estava lhe deixando muito ansiosa, haverá uma espécie de baile de comemoração para o aniversario da escola, onde tem a chance de ter seu primeiro encontro com Rinaldo, o rapaz de quem ela é afim desde seus doze anos.
São duas da manhã e a noite esta anormalmente fria, e uma sede insistente a obriga a descer, mesmo contrariada. Não gostava de ter que descer as escadas para pegar água na cozinha, mas acaba de descobrir que (certamente) seu Pai havia tomado toda água da jarra que eles sempre deixam na sala de estar, certa vez seu pai prometeu comprar um bebedouro para colocar no andar superior, um desses bebedouros elétricos que refrigera a água para as noites mais quentes, mas obviamente ele não comprou, é sempre muito enrolado.
Amanda brinca sempre que ele deveria ser político e não empresário. Mas isso não muda o fato de ela ter que descer ate o térreo para beber água.
As escadas parecem bem maiores e as luzes que acendem parecem bem mais fracas, e ela finalmente chega ate o térreo da casa. A escuridão só não domina todo o local, pois a luz fraca que vem da rua entra pela grande janela, mas antes estivesse tudo escuro, a luz lúgubre projetava sombras impossíveis na parede assustando Amanda a cada dois passos, ate ela chegar ao interruptor, acionando-o e enchendo a sala de jantar de uma forte luz que faz os olhos arder. Ela sorri por ser tão medrosa um pouco mais tranquila, enfim ela pode saciar sua sede.
De repente ela é atingida por uma lufada de ar gelado, instintivamente ela se vira para a janela onde percebe que está fechada, se aproxima um pouco quando ela pode ouvir uma cantiga de roda, confere o relógio e descobre que são quase três da manhã, quem brincaria de Ciranda a esta hora? Olha pela janela, e percebe uma densa neblina vermelha e mais a frente quatro vultos pequenos rodopiam em uma dança louca. A impossibilidade da cena deixa Amanda perplexa, ela sente um misto de medo e curiosidade, e sem nem se dar conta ela já estava do lado de fora da casa.
Sente um cheiro forte de sangue, e quando o ar úmido da noite molha seus lábios ela pode perceber que esta névoa vermelha não é composta de água e sim de sangue, o sabor deixa uma sensação de ferrugem na boca, e de tão forte chega a ser nauseante, mas, mesmo assim, ela caminha em direção ao vulto das crianças agora facilmente visíveis.
O pijama branco de Amanda agora está rosado, manchado com o sangue que impregnara o ar, fazendo-o denso quase palpável, a visão é turva, mas não impede que as figuras das crianças se tornem nítidas.
Ela caminha para o outro lado da rua, uma praça, onde ela costuma brincar, correr, andar de bicicleta. Mas agora não consegue entender, é como se ela não conhecesse o lugar, as árvores banhadas em sangue, era o cenário mais bizarro e aterrorizante que ela já havia visto. E conforme ela aproxima a ciranda se torna mais intensa.
Diante da estátua do fundador da cidade (que agora está com a cabeça cortada) quatro pequenas crianças brincam sem se importarem com a presença de Amanda, elas correm em roda, de mãos dadas, cantando uma música que Amanda não se lembra. Elas estão banhadas com este sangue do ar, seus longos cabelos agora gotejam sangue, seus rostos estão disformes pelo sangue espalhado. E a música acaba no exato momento que as quatro olham para Amanda simultaneamente.



Ela acorda em seu sofá com o jornal aberto nos classificados, suando muito, e ofegante, seu corpo dói e seus lábios têm sabor de ferrugem, como naquela noite.
Já no banho, era como se sentisse o sangue pousando na pele e secando. Ela se lembra que quando a prefeitura da Cidade resolveu destruir a praça, para fazer um mercado, foram encontrados exatamente quatro corpos de meninas todas com sete anos de idade, enterrados abaixo da estátua do fundador da cidade. Elas haviam sido mortas por um antigo morador, isso muito antes dela mesma ter nascido.
Ela jamais contou o fato para ninguém.